II. Apresentação do Projecto 2015- Missão Global

1. Enquadramento Geral
A comunidade evangélica viveu, nestes últimos anos, momentos especiais de unidade e serviço para a glória de Deus e crescimento do seu Reino em Portugal e no mundo.
A Marcha por Jesus realizada em Lisboa, em 2000, quando alguns milhares de crentes, vindos de várias partes do país, testificaram do Nome do Senhor nas ruas da capital portuguesa, evidenciou um pouco da crescente presença evangélica em Portugal.
No ano de 2001, repetiu-se na cidade do Porto, capital europeia da cultura, a Marcha por Jesus, levando milhares de crentes às ruas da cidade Invicta, num evidente testemunho de unidade e de vontade de anunciar o Nome do Senhor Jesus ao mundo, começando pelos portugueses.
Além destes dois grandes eventos, percebe-se sinais de uma vontade crescente de unir forças em favor da evangelização de Portugal e do mundo.
Respeitando-se as posições doutrinárias e as diferentes práticas eclesiásticas, pergunta-se sobre a possibilidade de juntos orarmos e trabalharmos pela evangelização de Portugal e do mundo.
Os números também são animadores. Segundo as informações contidas no World Churches Handbook, editado pelo Dr. Peter Brierley, com informações de Patrick Johnstone, o crescimento das igrejas evangélicas em Portugal continua a ser estimulante e, ao mesmo tempo, desafiador.
O NÚMERO DE IGREJAS NOS ÚLTIMOS 40 ANOS

O NÚMERO DE MEMBROS NOS ÚLTIMOS 40 ANOS

OS NÚMEROS DA COMUNIDADE NOS ÚLTIMOS 40 ANOS

Melhor exemplo de Nº Igrejas por Habitante
Nº Igrejas a plantar para obter a mesma proporção de Igrejas por Habitantes (1 ig-3.629 p)
Situação de Concelhos não alcançados

Em termos do desafio missionário transcultural, segundo Patrick Johnstone existem 4.000 etnias totalmente não alcançadas e desses 4.000, 2.134 grupos étnicos poderão ser desdobrados em muitas mais etnias distintas com dialectos próprios, o que nos poderá levar a um grupo bem maior de povos não alcançados, algo em torno de 8.000 grupos étnicos por alcançar. Como estão divididas essas etnias não alcançadas?
- Tribais – 2.000
- Islâmicas – 2.900
- Hindus – 1.300
- Chinesas – 600
- Budistas – 600
- Outras - 600
De acordo com a Wycliffe, o século XX acabou quando se soube que a Bíblia ou o Novo Testamento estava traduzido em 2.212 línguas. Entre as 6.528 línguas vivas no mundo possuímos a Bíblia completa em 366 e o Novo Testamento completo em 928, ou seja, a Palavra está expressivamente presente em 2.212 línguas.
Entretanto, e de acordo com a Wycliffe, mais de 4.000 línguas não possuem sequer uma porção da Palavra sendo que 70% destas línguas podem ser definidas como minoritárias. 4.000 das 6.528 línguas existentes são faladas por apenas 6% da população mundial e é exactamente aí que o nosso desafio está localizado.
O desafio transcultural está aí e não nos pode deixar indiferentes. São mais de 2.000 povos que podem ser fragmentados num número até três vezes maior e mais de 4.000 línguas e dialectos sem uma porção da Palavra de Deus.
Se pensarmos que em cada 10 missionários transculturais que saem para o campo missionário, 9 vão trabalhar com os povos do Mundo B e C, ou seja os lugares do globo onde o Evangelho está acessível e onde existe Igreja e Bíblia na língua do povo, o que faremos? Se acrescentarmos a estes dados que 27% da população do mundo ainda não ouviu falar de Cristo, como reagiremos?
Ainda assim, importa dar uma nota positiva sobre o esforço missionário mundial. É que no ano 100 da era de Cristo havia 360 não cristãos por cada crente. No ano 1500 passaram a ser 69 não cristãos por cada crente. No ano 2000, já havia 2 não cristãos por cada crente.
Na história da igreja, nunca houve uma era de mais promessa, mais entusiasmo, mais consagração, mais oração pelas missões mundiais, como agora.
Ü Milhares de agências missionárias, e cada dia há mais
Ü Movimentos de oração em todo o mundo
Ü Estratégia global de “povos não alcançados” e “janela 10/40”
Ü Denominações inteiras mobilizadas para as missões
Portugal é hoje uma porta aberta para missões transculturais na Ásia, nos Países do Leste Europeu, nas Américas, e nas Africas. Porquê? Por razões diferentes:
Ü Geográficas: Norte de África e Sul da Europa
Ü Históricas: Brasil, Timor Leste e África de língua portuguesa
Ü Sociológicas: Portugal é um dos mais importantes países de acolhimento dos imigrantes dos países do Leste Europeu.
Apesar deste facto, Portugal deverá ter um total de 64 missionários transculturais, assim distribuídos:

2. A Experiência de Outros
Em 1974, cerca de 75 líderes evangélicos nas Filipinas comprometeram-se a trabalhar com suas igrejas e denominações a fim de alcançar o alvo de uma igreja em cada lugar (freguesia ou concelho) de todo o país, até o ano 2000. Alcançado esse alvo, as igrejas nas Filipinas passariam de 4 mil igrejas existentes em 1975 para 50 mil no ano 2000.
Ouvindo sobre este modelo das Filipinas, 350 líderes evangélicos na Guatemala estabeleceram um alvo para os próximos seis anos no seu País, duplicando o número das suas igrejas.
Em abril de 1985, centenas de líderes reuniram-se num Congresso sobre a evangelização do Zaire e propuseram-se alcançar o alvo de implantar uma nova igreja em cada lugar (freguesia ou concelho), com cerca de 10 mil habitantes, num período de 5 anos.
Líderes de outros países, tais como Japão, índia, EI Salvador, Colómbia, Gana, Nova Zelândia, Zimbabué, Peru, Venezuela, Brasil e outros países da América Latina, estão a trabalhar juntos no estabelecimento de alvos comuns de evangelização para os seus países. No contexto europeu, aparece a Dinamarca, a Inglaterra e alguns países do Leste com esta mesma visão.
Diz o Dr. Ralph Winter (Director do U.S. Center for World Mission): "Parece-nos que nós devemos pensar numa igreja para cada grupo de pessoas no mundo, ou pelo menos uma igreja em cada 1.000 pessoas desses grupos".
Dr. Donald McGavram escreveu o seguinte: "Esta verdade significa, primeiramente, darmos oportunidade a todos os seres humanos de se apropriarem da salvação, e isto pode ser feito, verdadeiramente, estabelecendo milhares de igrejas de membros comprometidos com Cristo; sendo o ideal uma igreja em cada pequena comunidade de pessoas".
Portanto, a visão sugerida por várias organizações missionárias consiste em mobilizar o Corpo de Cristo, num esforço determinado e cooperativo, buscando cumprir a ordem da Grande Comissão através da evangelização de milhares de pessoas e do estabelecimento de igrejas no maior número possível de freguesias e concelhos de cada país, respeitando-se a individualidade de cada igreja cooperante e de cada Denominação participante.
Nesse sentido, o objectivo geral do projecto 2015- Missão Global é ajudar cada denominação e cada igreja a desenvolver os seus alvos e as estratégias apropriadas para cada contexto e realidade quer seja através de publicações, palestras, seminários, treinamento, além de uma aprofundada pesquisa sócio-económica religiosa.
O alvo maior é o de expandirmos o Reino de Deus, não apenas em Portugal mas a partir de Portugal para todas as nações. Assim, existirão duas vertentes no Projecto 2015-Missão Global: Portugal 2015 e Mundo 2015.

3. PORTUGAL 2015
- Na vertente nacional, com a bênção de Deus, apoio sem reservas da Direcção da Aliança Evangélica Portuguesa e participação de pastores e líderes de igrejas, ministérios e denominações, a AMIS procurará servir a comunidade para a efectivação da visão do Portugal 2015 tendo em conta os seguintes aspectos:
a) Visão
Uma Igreja acessível para todas as pessoas, em todo o país, nesta geração!
b) Alvos
· Identificar as cidades, vilas e aldeias da nossa nação com maior densidade demográfica que não possuem uma igreja evangélica.
· Determinar com rigor o número de igrejas por habitante em cada distrito e concelho do país e divulgar essa informação.
· Desafiar as denominações, associações de igrejas e igrejas independentes a definirem os seus alvos e adoptarem os locais não alcançados para a plantação de novas igrejas, saudáveis e maduras até 2015.
· Identificar os grupos étnicos minoritários existentes na nação e propôr a sua adopção pelas igrejas existentes.
· Levantar um movimento de oração que acompanhe o projecto.
Estabelecer um programa de treinamento de leigos para a plantação de novas igrejas.

4. MUNDO 2015
Na vertente transcultural, a AMIS procurará servir a comunidade para a efectivação da visão do Mundo 2015 tendo em conta os seguintes aspectos:
a) Visão
Portugal como força missionária transcultural entre os povos não alcançados!
b) Alvos
· Desenvolver um trabalho de pesquisa quanto às necessidades missionárias do mundo, grupos étnicos não alcançados, mantendo um fluxo permanente de informação missionária que ficará ao dispôr das igrejas e associações de Igrejas filiadas na AEP que, em função desses dados, definirão os seus alvos para missões transculturais até 2015.
· Informar as igrejas filiadas na AEP quanto a projectos missionários a realizar por organizações ligadas à AEP assim como de necessidades conhecidas dos campos missionários, estimulando à adopção dos mesmos.
· Contribuir para o movimento de intercessão mundial pelos povos não alcançados, estimulando a adopção de um povo não alcançado por cada igreja filiada na AEP.
· Estimular como plataforma facilitadora, o estabelecimento de parcerias entre igrejas ou entre agências missionárias e organizações missionárias, incentivando o alcance dos povos não alcançados.
· Apoiar as igrejas e associações de igrejas que procurem capacitação nas áreas de motivação, visão, informação, chamada, selecção, formação, envio, sustento, apoio e cuidado dos missionários nos campos, através de congressos e acções de despertamento da visão missionária transcultural.
5. Elementos Chave da Estratégia
- Compartilhar com igrejas e pastores a visão da evangelização e transformação das cidades e do mandato missionário às nações pela proclamação do Evangelho.
- Queremos estimular um movimento de oração estratégica, intencionalmente focado no reino de Deus a partir de Portugal.
- Queremos iniciar um processo de pesquisa que aponte as diferentes realidades religiosas, históricas, sociais, culturais e espirituais de cada distrito do nosso país e o actual compromisso missionário transcultural das igrejas e denominações.
- Queremos realizar consultas com as lideranças das igrejas para encorajamento e conferências distritais para a definição dos seus alvos e mobilização das igrejas para o alcance dos locais não alcançados em Portugal e no mundo até ao ano 2015.
- Ajudaremos a definir e a proclamar a mensagem profética para alcance de cada distrito, cidade, vila e aldeia do país, adopção de grupos étnicos e envio de missionários transculturais.
- Ajudaremos a planear com os líderes locais os alvos e as estratégias de evangelização dos distritos e de missões transculturais até 2015.
- A Assessoria de Missões da AEP compromete-se a trabalhar lealmente com as lideranças denominacionais e locais na mobilização de todo o Corpo de Cristo.
6. Elementos Singulares da Estratégia
- O reconhecimento fundamental de que é Deus, única e realmente, quem edifica a Sua Igreja e quem implanta o Seu Reino na terra.
- A estratégia a utilizar terá de ser apropriada ao contexto e realidade de cada igreja local.
- As estruturas eclesiásticas existentes no país serão respeitadas e ouvidas.
- A igreja local manterá a sua posição de primordial importância na tarefa da evangelização e no alcance missionário dos povos.
- A Assessoria de Missões da AEP procurará ser uma plataforma facilitadora ao dispor das igrejas para estimular os esforços missionários nacionais e mundiais.
7. Meios Imprescindíveis para Implementação da Estratégia
A bênção e a aprovação de Deus é muito mais do que um meio. D’Ele procedem todas as coisas e para Ele voltam. A glória de Deus deverá constituir o propósito de todo este empreendimento, que acreditamos, é Deus quem realizará. Todavia, é Seu plano usar a Igreja para cumprir, mais uma vez, os seus santos propósitos. Certamente Deus acrescentará os meios necessários, como sejam:
- A unidade entre o povo de Deus.
- O envolvimento e compromisso dos líderes Denominacionais, Líderes de Igrejas e de Organizações Missionárias que definirão os seus alvos de plantação de novas igrejas e de missões transculturais até 2015.
- Uma Rede de Pesquisa a nível nacional.
- Uma Rede de Oração a nível nacional.
- Uma Equipa de Coordenadores do projecto em cada distrito do país.
- Finanças.
Cronograma de Implementação da Estratégia