Observatório-Textos-Ética

enviar a um amigo imprimir Página Anterior
A MENTIRA DO "SEXO SEGURO"

Samuel Pinheiro, 1997-08-01

A MENTIRA DO “SEXO SEGURO”

“Digno de honra entre todos seja o matrimónio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.”Hebreus 13:4

Durante as férias a Comissão de Luta contra a Sida e a Direcção Geral de Saúde lançaram uma campanha em favor de um pretenso sexo seguro e de defesa da vida. Percebe-se facilmente a escolha do período de férias para o seu lançamento por vários factores. Mas se existem razões para tais preocupações nesta altura, o que é que vai acontecer durante o próximo ano, aquando da EXPO’98?

Pensamos que, para lá do facto de esta campanha estar a ser paga pelos dinheiros públicos, incorre num vício de raciocínio pernicioso por variadas razões que procuraremos aqui dissecar.

CONSTATANDO O ÓBVIO

Os responsáveis por esta campanha parecem reconhecer que, as relações sexuais entre jovens fora do matrimónio, são hoje uma prática aceite por um número de tal modo considerável, que requer um investimento deste porte. (Não sabemos o custo real da campanha mas pelo que sabemos acerca dos custos de produção e emissão não nos custa a acreditar que o número deve ter muitos zeros à direita).

Consideram ainda que estas relações são uma das causas principais da proliferação de uma doença fatal que se dá pelo nome de SIDA, para não se falar de muitas outras doenças venéreas que entretanto se ignoram, pela malignidade desta que a todas as outras supera.

UMA ESTRATÉGIA MEDÍOCRE

Em virtude dessas duas constatações, os referidos responsáveis optam por aconselhar os que optam por este tipo de relações, para que usem o preservativo, chamando-lhe “sexo seguro”.

É verdade que, em certa medida, o referido método anticoncepcional, pode ser um forte redutor da transmissão da SIDA. No entanto, ele esconde a fraqueza do sistema em que nós vivemos e a fragilidade dos que a ele recorrem, incapacitados de enfrentar e desenvolver uma campanha mais séria e honesta, de prevenção e educação sexual e familiar.

Esta campanha esconde a hipocrisia do sistema que, por um lado, através de filmes pornográficos e eróticos incentiva os adolescentes e jovens à promiscuidade, por outro lado, se encontra a braços com as consequências epidémicas desse tipo de comportamento.

Mostra igualmente a incapacidade, a falta de vontade, diríamos mesmo a cobardia, de dizer, frontalmente, quais são as verdadeiras e globais consequências de um envolvimento precoce e fora do casamento.

Recentemente, numa iniciativa tomada numa das escolas públicas, soube que uma médica, de um centro de saúde do concelho, optou precisamente por este tipo de estratégia. Não fosse a presença de um médico cristão, que claramente afirmou o que tanto científica quanto moralmente a questão exige em termos de esclarecimento, formação e educação globais, os adolescentes presentes ficariam a pensar que certas opções são correctas e adequadas de um ponto de vista moral e médico - o que é totalmente incorrecto.

Enveredar por um esclarecimento científico e moral sobre o assunto não é popular.

CIÊNCIA E MORALIDADE

Esta forma de actuação mostra-nos quanto amoral a nossa sociedade está a tornar-se. Mostra ainda, de uma forma muitíssimo evidente, como se sacrifica a verdade científica, quando ela sanciona verdades de ordem moral que não são agradáveis.

No caso vertente, é mais do que evidente, que um envolvimento sexual precoce, que ainda por cima e invariavelmente envolve parceiros diversificados consoante a oportunidade e as variações emocionais e afectivas, é objectivamente contrariado pela ciência médica, o que está plenamente apoiado pelos valores morais judaico-cristãos.

PROTECÇÃO E PROVISÃO

Quando Deus diz o que diz sobre o sexo, que Ele mesmo criou, não pretende assumir uma atitude gratuita de desmancha prazeres, mas, antes pelo contrário, defender-nos de tudo o que um envolvimento fora de tempo e fora dos princípios estabelecidos pode originar, e prover para nós a única base de experiências verdadeiramente gratificantes neste domínio.

“Seja bendito o teu manancial,e alegra-te com a mulher da tua mocidade,corça de amores, e gazela graciosa.Saciem-te os seus seios em todo o tempo;e embriaga-te sempre com as suas carícias.” (Provérbios 5:18,19)

“Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol.” (Eclesiastes 9:9)

UMA IMAGEM FALSA

A imagem que se pretende comunicar através da referida campanha é absolutamente falsa. Os jovens que aparecem respiram saúde e alegria. No entanto, esta não é de todo a verdade daqueles que enveredam por semelhante opção. Vida não é andar por aí com um preservativo em cada mão, para aproveitar as oportunidade que surjam na próxima esquina. Uma análise e investigação real e autêntica nestes domínios mostraria muita frustração, dor, recalcamento, complexos, vazio, ilusão.

Demagogia, mentira e ilusão são as únicas palavras que encontramos para classificar as imagens que servem de fundo a esta campanha visual. Entre as imagens projectadas e a realidade, existe um abismo profundo.

Não se poderá dizer que não haverá prazer por esses descaminhos, mas o que sabemos de antemão é que ele não compensa. São muitas as histórias verídicas, não de telenovela, dos que por aí foram e por aí se perderam.

A verdade é que uma campanha, como esta, não apenas alerta os que optam por esta forma de estar, mas de uma forma muito clara para nós, insinua na mente de muitos adolescentes e jovens, a ideia de que tudo isso é muito normal e que apenas é preciso acautelar as possíveis consequências físicas. Os pais precisam estar muito atentos para esclarecer aquilo que a televisão e campanhas com esta distorcem e mentem. Isto porque temos dificuldade em acreditar numa vaga de fundo parte da sociedade, no sentido de exigir respeito pelos princípios morais cristãos e que obrigue as televisões a alterarem as suas grelhas de emissão. A apatia ou o medo dos homens e mulheres de liderança na sociedade é impressionante, na medida em que não acreditamos que todos afinem pelo diapasão dos senhores da SIC (que não é a única mas a que mais se destaca nesta cruzada anti moral cristã). Mas poucos são os que têm coragem para o dizer abertamente. A violência, a pornografia, o sexo, as aberrações, os atentados à moral cristã são mais do que evidentes, entram pelos olhos dentro. Apesar das claras diferenças que existem entre os evangélicos e os católicos romanos, aqui existe claramente a urgência de uma frente comum que, sem demagogia, mas com firmeza e determinação, com bases científicas e argumentos inteligentes, procurasse travar esta avalanche de maldição que se está a abater sobre a sociedade portuguesa. Os buracos da lei permitem que passe o inacreditável e, quando a lei consegue sancionar algum destes atentados à moral pública, há sempre lucro suficiente para pagar a multa e seguir em frente. Muita coisa está em falta neste domínio em relação aos meios de comunicação. Liberdade de imprensa não pode ser a liberdade de alguns transmitirem o que lhes apetece, sem respeito pelo tecido cultural e pelas famílias dos portugueses. E não se escondam nos níveis de audiência porque mal de nós se a quantidade de infractores fosse norma para estabelecer o que se deve ou não deve permitir legalmente

MENTIRAS E ILUSÕES

O sexo não é apenas uma relação física, não existe preservativo que torne alguém imune às consequências emocionais e afectivas de uma vida sexual com vários parceiros e precocemente iniciada.

O sexo não pode ser encarada apenas pela vertente do prazer e sem ter em conta o que representa de responsabilidade e compromisso, que só se pode realizar plenamente no casamento. Existem muitos filhos do preservativo. Este pode ser um meio escolhido dentro do planeamento familiar mas, no caso vertente, o que se pretende é evitar consequências de relacionamentos precoces e com vários parceiros. A mentalidade que se estimula, através de campanhas como aquelas a que assistimos, de irresponsabilidade, trará, a seu tempo, outras consequências, que não há preservativo que possa evitar. A ideia que temos só direitos é falsa e perigosa.

O sexo vivido fora do casamento, enfraquece a instituição familiar futura e é uma forma de, no futuro continuar as chamadas relações abertas, que mais não são do que ausência de compromisso, de responsabilidade e de fidelidade. Que filhos surgirão de tais “lares”?

O sexo experimentado fora do casamento, procurando apenas evitar as consequências físicas, reforça uma mentalidade escapista e irresponsável da maternidade e paternidade. Se estes métodos não funcionarem, há sempre à mão a possibilidade do aborto. As desculpas que os seus defensores apresentam, mais não são do que racionalizar o crime de egoísmo que representa.

VIRGINDADE NA ORDEM DO DIA

Ser virgem está cada vez mais na ordem do dia. É preciso coragem para assumir o que não está na moda, mas é o que melhor defende as expectativas de um futuro maravilhoso.

Esta campanha é mais uma evidencia de que os adolescentes e jovens cristãos estão certos, quando observam os princípios e os preceitos bíblicos, sabendo que eles estão correctos, por causa da Pessoa na qual têm origem.

O VERDADEIRO SEXO SEGURO

É aquele que é vivido dentro dos padrões de Deus, no contexto da família, na harmonia de um relacionamento de amor autêntico e genuíno que se conjuga com fidelidade e responsabilidade.

Samuel R. Pinheiro

Agosto97

[Notícia n.º 2034, inserida em 2003-04-20, lida 2094 vezes.]

 

 

 Pesquisar Temas

 

 Devocional

 Reflexão

 Leitura diária

 Pensamentos

 





Início | Contactos                                                                              Powered by Netconquer

© Copyright 2003 Aliança Evangélica Portuguesa, AEP. Todos os direitos reservados.