EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS
SIM ou NÃO?
Vivemos numa sociedade sexualmente obcecada e tantas vezes intoxicada.
O sexo virou ídolo e forma expedita de comércio, exploração e até escravatura.
A democracia e a liberdade são usadas e aproveitadas para justificar e dar cobertura a toda a sorte de usos e abusos.
Os meios de comunicação lançam mão dos programas que exibem a intimidade sexual ou apelos e insinuações sensuais para aumentar os seus índices de audiência.
O público sem espírito crítico consome o que gratifica os seus desejos e o prazer imediato, sem considerar as consequências emocionais, afectivas e mentais que daí decorrem.
As consequências disparam nas doenças sexualmente transmissíveis, na gravidez de adolescentes, no aumento das mães solteiras, no aborto clandestino, na infidelidade matrimonial, no divórcio, na prostituição, etc.
O Estado querendo estancar principalmente as consequências ao nível da saúde pública que pesa no seu orçamento e querendo ser politicamente correcto, adopta as chamadas campanhas do “sexo seguro” e a obrigatoriedade de uma educação sexual transversal nas escolas a que todos os professores, qualquer que seja a disciplina, de alguma forma deveriam aderir.
As campanhas reduzem-se à passagem da mensagem do uso do preservativo como panaceia universal e à sua distribuição gratuita.
A educação sexual assenta nos princípios gerais do pluralismo e do relativismo considerando todas as orientações sexuais como igualmente válidas, a vida sexualmente activa como decisão individual e particular sem quaisquer outras considerações que não seja a do prazer embrulhado em considerações vagas sobre os afectos de ocasião e descartáveis.
É “proibido proibir” tornou-se o slogan explícito ou implícito, nada de restrições ou de limitações à liberdade individual entendida como fazer tudo o que der na “bolha”.
“Segue o que sentes” torna-se o apelo apetecível e fácil que descura todas as tragédias que deixa pelo caminho.
Como ainda assim o sistema acaba por não funcionar, é preciso proceder à legalização do aborto com os argumentos mais diversos onde pontuam o direito da mulher à sua barriga, a “indignidade” do julgamento das mulheres que se sujeitam ao aborto clandestino e de quem o pratica, as carências sociais e económicas e os filhos não desejados.
Simultaneamente redefine-se o conceito ancestral de família e de casamento de molde a incluir as relações homossexuais e vai-se mesmo mais longe, ao ponto de criar condições legais para a adopção de homossexuais de crianças que se vêm privadas de ter um pai e uma mãe, condição natural para que venham à existência.
Quem assim não pensa é taxado de intolerante, de “homofóbico”, de fundamentalista e já começa a correr o risco, em alguns países da Europa, de ser preso, se não optar por um silêncio politicamente correcto ou pelo assentimento hipócrita. Os que reivindicam tolerância revelam-se afinal de contas bem pouco tolerantes.
É neste contexto que de repente, em Portugal, os pais e encarregados de educação foram surpreendidos por algumas notícias que davam conta das linhas de orientação, e de algumas práticas, da chamada educação sexual nas escolas públicas, à margem das suas convicções e escolhas.
Alguns dos dados que foram fornecidos não temos coragem de reproduzir nestas páginas e acreditamos que se alguns dos que lêem este texto o soubessem ficariam profundamente indignados. Nós fazemos parte do número dos que consideram que têm o direito à indignação perante a forma pouco respeitosa para com a ética de muitas das famílias portuguesas com que o assunto tem sido tratado.
O Ministério da Educação, a meu ver bem, decidiu constituir uma comissão de vários especialistas para estudar o assunto e ouvir várias entidades, com vistas a apresentar um relatório e propostas de orientação futuras.
Como cristão evangélico, como cidadão, pai e encarregado de educação, apesar de respeitar a opinião de quem quer que seja, não passei nenhuma procuração a nenhum especialista por mais renomado que possa ser, nem a nenhuma confederação ou organização. Penso pela minha própria cabeça e tenho como minha autoridade moral o Deus da Bíblia Sagrada, digam o que disserem e chamem-me o que quiserem chamar.
Assim sendo gostaria de alinhar alguns pontos que considero fundamentais nesta questão:
1 – A educação sexual é competência por excelência da família onde se pode e deve respeitar a sensibilidade, o crescimento, os princípios e os valores de cada um.
2 – A existir educação sexual nas escolas públicas ela só deve começar a partir do 2º ciclo de escolaridade e única e exclusivamente com a permissão dos respectivos encarregados de educação, que devem ter igualmente a possibilidade de optar pelo modelo e orientação que consideram adequados.
Como evangélicos seguimos o padrão estabelecido na Bíblia em que sobressaem essencialmente dois valores: a abstinência antes do casamento e a fidelidade no casamento. Tendo como pano de fundo a revelação consideramos:
1 – A sexualidade é criação divina que envolve a totalidade do nosso ser (espírito, alma e corpo) e não apenas a dimensão biológica.
2 – A sexualidade foi criada para nosso prazer e multiplicação responsável.
3 – A intimidade sexual é para ser desfrutada no seio do matrimónio.
4 – A abstinência é a única forma de preservar de modo saudável o corpo, a mente, as emoções, os afectos e o espírito.
5 – A fidelidade matrimonial é preparada pela abstinência até ao casamento e fortalece os relacionamentos e a intimidade do casal.
6 – O planeamento familiar com recurso aos métodos naturais e artificiais, desde que não abortivos, é legítimo e desejável, segundo a consciência de cada um e sem pôr em causa a saúde de nenhuma das partes.
Convém ainda acrescentar que nenhum destes princípios evangélicos deve ser assumido de modo legalista.
Para todos os que falharam ou falhem existe um caminho de retorno, de perdão, de restauração, de recomeço embora não escamoteemos o facto de que muitas vezes as consequências sejam dolorosas e se arrastem ao longo do tempo.
O problema hoje em dia é que muitas pessoas, entre elas, muitos chamados especialistas, ignoram as consequências espirituais, emocionais e afectivas para lá das físicas, e das relacionais e pessoais.
Para terminar, um apelo a todos os pais, para que assumam as suas responsabilidades e preparem os seus filhos para que não apenas saibam quais os valores que perfilham, mas também as razões pelas quais os assumem. É necessário fomentar o espírito crítico das nossas crianças, adolescentes e jovens, e isso só acontecerá se os pais demonstrarem precisamente essa postura. Temos que nos habituar e preparar para lidar com uma cultura em que pontua o relativismo moral e a subtileza subreptícia da conspiração contra os valores divinos declarados na Bíblia e vividos ao longo de milénios na cultura judaico-cristã.
A CAPU tem à disposição de todos os educadores muitos e bons livros escritos por autores com experiência e conhecimento tanto bíblico quanto científico, pedagógico e técnico. Para ensinar precisamos antes aprender. Por favor preparem-se adequadamente e actuem preventivamente não declinando para outros, quaisquer que sejam, a responsabilidade e privilégio que é vosso como pais cristãos.
Se pretenderem assumir uma posição pública e participar numa petição a apresentar às autoridades competentes, podem apreciar e subscrever, se assim o entenderem, a que é divulgada no Portal Evangélico no endereço electrónico www.portalevangélico.pt.
Samuel R. Pinheiro
www.samuelpinheiro.com