SEMANA UNIVERSAL DE ORAÇÃO - 1991
ALIANÇA EVANGÉLICA PORTUGUESA
TEMA: “Eis aqui está o vosso Deus”
O vigor da Igreja Cristã e a eficácia do seu testemunho dependem da sua visão espiritual. Se o povo de Deus vê somente inimigos ao seu redor, tal como o servo de Eliseu, ficará paralisado de medo, mas se encher a sua visão com Deus e com os seus infindáveis recursos, terá uma experiência de revitalização da sua fé e poderá retomar as suas responsabilidades no mundo. “O povo que conhece ao seu Deus se esforçará e fará proezas” (Dan. 11: 32).
Nós necessitamos desta última experiência, porque a Igreja Cristã de hoje está enfrentando forças hostis muito perigosas. Secularismo, materialismo e uma ética permissiva dominam nos pensamentos dos nossos dias. O testemunho cristão tem de enfrentar o ressurgimento do pensamento das religiões orientais e o novo impulso missionário do Islão, assim como um número crescente de cultos religiosos. Nalguns países continua, aberta ou veladamente, a intolerância religiosa e a perseguição aos crentes.
Se adicionarmos a tudo isto as imperfeições e as fraquezas da Igreja em si, parece-nos que haverá razões para desânimo. De facto, muitos crentes sentem-se desanimados ao olharem para o que se passa à sua volta.
O melhor remédio para este estado – e, sem dúvida, o único – é uma visão renovada do Deus revelado nas Escrituras. Sempre que abrimos a Escritura, os mensageiros de Deus podem dizer com todo o direito: “Eis aqui está o vosso Deus”. A segunda metade do livro de Isaías (Cap. 40 a 66) contém uma exposição incomparável das características essenciais de Deus. A sua mensagem era exactamente aquilo que os judeus necessitavam quando regressaram do cativeiro na Babilónia e se encontravam em circunstâncias muito deprimentes. Talvez seja esta mensagem que esta geração também necessita. Vamos ouvi-la e aplicá-la nas nossas vidas durante esta Semana Universal de Oração.
DOMINGO, 6 DE JANEIRO
O único Deus
( Isa. 43: 10-11; 44: 6-8; 46: 4 )
O primeiro mandamento do Decálogo - “ Não terás outros deuses diante de mim” – constitui uma rejeição total a qualquer forma de politeísmo. Sempre houve manifestações de idolatria e ainda hoje verificamos isso. As antigas divindades pagãs foram substituídas pela obsessão do homem moderno: progresso, avanço tecnológico, riquezas, prazer, fama, poder. Algumas destas aspirações poderão ser legítimas se forem realizadas com moderação, mas quando o homem as procura com obsessão, como se fossem os alvos supremos da vida, estas aspirações transformam-se em ídolos. Muitas vezes o homem autodiviniza-se, curva-se e adora a sua própria mente, o seu próprio corpo ou as coisas que ele cria com a sua mente e o seu corpo. Mas todas as formas de idolatria não são somente perniciosas, mas absurdas
(Isa. 41: 29; 44: 9; Rom. 1: 21). O povo de Deus, também está sujeito a este pecado, tem de rejeitá-lo.
Demos graças:
- Porque Deus, através da Sal Palavra, manifestou a Sua grandeza incomparável para connosco.
- Pela nossa experiência da conversão, quando, como os Tessalonicences, deixámos os nossos “ídolos” para servirmos o “Deus vivo e verdadeiro “ ( I Tess. 1: 9 ).
- Porque o Deus que é único, é Todo-Poderoso para a nossa salvação ( veja Isa. 45: 21-22 ) e para a nossa perfeita satisfação. Tal como o Salmista, podemos exclamar: “Eu tenho uma formosa herança”
( Sal. 16: 6 ).
Confessemos:
- Que, frequentemente, tornamos a cair nalguma forma de idolatria.
- Que, por vezes, conscientemente ou não, confiamos mais nos nossos próprios recursos do que no nosso Deus.
- Que, no trabalho de evangelização, temos a tendência de esperar mais da tecnologia aplicada do que do Poder do Espírito e da Palavra de Deus.
Peçamos:
- Que o conhecimento de Deus possa chegar a todos os povos da terra.
- Que a nossa fé n’Ele possa ser tão autêntica que produza um grande impacto naqueles que nos rodeiam.
- Que a pregação da Palavra, a circulação de literatura cristã e o uso de todos os meios modernos pela Igreja, possam ser guiados por Deus, para que o testemunho seja eficaz.
- Que, por este meio, a verdade da Palavra de Deus possa brilhar e dissipar a escuridão do erro, da idolatria e da imoralidade que envolvem a sociedade dos nossos tempos.
- “Vem, Senhor Jesus, vem cedo” ( Apoc. 22: 20 ) para que todo o mundo possa ver que o nosso Deus é o único Deus verdadeiro e que, fora d’Ele, não há outros deuses nem qualquer esperança de salvação.
SEGUNDA-FEIRA, 7 DE JANEIRO
O Deus criador
( Isa. 42: 5 )
Apesar das ideias materialistas sobre as origens do universo, a Bíblia continua a afirmar que “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gén, 1: 1 ). Tudo foi feito e subsiste pela Palavra eterna de Deus ( João 1: 1-3; Col. 1: 16-17; Heb. 1: 2-3 ).
- O homem, a coroa da criação, é também um trabalho de Deus. “Foi Ele e não nós, que nos fez povo seu” ( Salmo 100: 3).
- O trabalho de Deus na criação foi excelente. “E viu Deus tudo quanto tinha feito e eis que era muito bom” ( Gén. 1: 31 ). O pecado humano destruiu esse trabalho ( Rom. 8: 20 ) e o efeito dessa ruína manifesta-se nos desastres ecológicos causados por uma indústria insaciável, impulsionada pela ambição de rápida riqueza e indiferente aos efeitos sérios sobre a natureza, pela contaminação dos rios, do solo e da atmosfera.
Também a ruína moral da humanidade, evidenciada pela injustiça e violência em que vivemos, não é menor dom que a produzida pela contaminação física. Paulo tinha razão quando declarou que “ Toda a criação geme e está juntamente com dores de parto, até agora” ( Rom. 8: 22 ). Contudo, a ruína e as dores de parto (consequência do pecado), não serão prolongadas eternamente. O Deus criador está activo numa nova criação. Isto está a ser realizado espiritualmente e individualmente em cada crente
( II Cor. 5: 17 ), mas um dia culminará em “ novos céus e nova terra, em que habita a justiça”
( II Ped. 3: 13 ).
Agradeçamos
- A maravilha da criação, que nos leva a cantar “Grandioso és Tu”.
- A vida que recebemos de Deus.
- Porque Deus, como nosso Criador, conhece-nos intimamente e, apesar da nossa indignidade, Ele nos ama e quer ter comunhão connosco.
- Porque Ele continua a ser o Senhor da Criação e Aquele que ordena os seus recursos através de uma providência benéfica, apesar de deterioração ecológica causada pela ambição e falta de visão humana.
- Pelas perspectivas gloriosas da Nova Criação.
Confessemos
- Que temos a tendência para nos esquecermos que Deus é o nosso Criador, e que tudo o que somos e temos, a Ele o devemos.
- A nossa indiferença para com os problemas ecológicos. Talvez nos tenhamos esquecido do facto de que somos “trabalhadores em equipa” com Deus, não somos somente na evangelização, mas também na conservação da natureza ( veja Gén. 1: 28; 2: 15 ).
- A nossa passividade para com as ideias e práticas que diminuem o respeito pela vida humana ( ex. movimento pró-aborto, pró-eutanásia, etc...).
- Que os nossos companheiros nem sempre vêm em nós a realidade da Nova geração, um facto que faz enfraquecer o impacto do nosso testemunho.
Peçamos a Deus:
- Que Ele continue a ter misericórdia para com este mundo, não obstante os ataques humanos sobre o equilíbrio ecológico.
- Que Ele abençoe a acção e o testemunho daqueles que, em conformidade dos ensinamentos da Bíblia, procuram promover posições que possam defender a vida.
- Para que, guiados e fortalecidos pelo Espírito Santo, possamos viver de tal maneira que o mundo seja obrigado a reconhecer a realidade da transformação da nossa nova vida em Cristo, onde “as coisas velhas já passaram ... eis que tudo se fez novo”.
- Para que muitas pessoas possam ter a experiência da nova vida em Cristo.
TERÇA-FEIRA, 8 DE JANEIRO
O Deus que se revela
( Isa. 40: 8; 44: 26-28; 45: 23; 48: 3,6; 55: 11 )
O povo da nação judaica, que regressava da Babilónia, podia ter sido assaltado pela incerteza ou receio de que novas calamidades descessem sobre eles. Mas a Palavra de Deus esclareceu o seu futuro
( Isa. 40: 3-11 ).
“Deus falou” ( Heb. 1: 1 ). Desde o princípio da raça humana, Deus revelou a sua vontade. A Sua Palavra declarou os grandes privilégios do homem, assim como os limites exactos da sua liberdade
( Gén. 1: 28-30 ).
Depois do homem ter caído no pecado, Deus continuou a conceder-lhe a Sua graça ( Gén. 3: 14 e
seguintes). Esta revelação continuou através dos patriarcas e profetas e culminou em Jesus Cristo
( Heb. 1: 2 ).
A palavra de Deus é uma fonte de sabedoria e de vida. Sem ela, permaneceríamos na ignorância espiritual, na escravidão do pecado e na condenação. A Palavra não só nos revela Deus; mas também nos revela a verdadeira natureza do homem, a sua presente condição moral e as suas necessidades. Faz-nos conhecer, igualmente, o caminho para a salvação da humanidade caída e como chegamos a ela através de Cristo. Por este motivo é uma palavra que dá vida ( Isa. 55: 10-13; João 5: 24 ).
A sua mensagem maravilhosamente eficaz é permanente ( Isa. 40: 8 ). Nenhuma especulação filosófica ou “contextualização” do texto bíblico anulará ou distorcerá esta mensagem. Não somos chamados a julgar a Palavra, mas a deixar-nos julgar por ela quando nos submetemos à sua autoridade.
A Igreja Cristã será forte quando conhecer e obedecer à Palavra de Deus.
Demos Graças:
- Porque Deus não nos deixou na escuridão da ignorância acerca da Sua Pessoa, mas revelou-se-nos com o propósito de nos redimir.
- Porque a Palavra de Deus é “boa nova”, o Evangelho.
- Porque, não obstante todos os ataques à Palavra de Deus, ela subsiste e produz fruto em todo o mundo ( Col. 1: 16 ).
- Porque muitos de nós temos experimentado o Seu poder e influência nas nossas vidas.
Confessemos:
- Que erramos muitas vezes porque não conhecemos as escrituras ( Mat. 22: 29 ).
- Que, por vezes, nos deixamos influenciar pelos nossos próprios pensamentos ou por ideias correntes, do que pelos ensinamentos da Bíblia.
- Que a nossa adesão à verdade revelada é, muitas vezes, mais intelectual do que prática,; não afecta o nosso modo de vida. Somos ortodoxos nas nossas crenças, mas heterodoxos na nossa conduta.
- Que as nossas inconsistências trazem descrédito para a causa do Evangelho.
Peçamos a Deus:
- Uma maior lealdade à Sua Palavra, tanto em teologia como em conduta.
- Um maior conhecimento da Bíblia, que nos permita distinguir entre a verdade e o erro, quando enfrentarmos o desafio das modernas correntes de pensamento.
- Para que Ele guie e abençoe todos os que têm responsabilidades de ensino nos seminários, institutos bíblicos e instituições similares, ou nas igrejas locais, para que o ensinamento esteja de acordo com a Palavra de Deus.
- Para que o conhecimento da Palavra possa ser extensivo a todo o mundo.
- Para que todos os métodos de proclamação do Evangelho sejam inspirados pelo Espírito de Deus.
QUARTA-FEIRA, 9 DE JANEIRO
O Deus da salvação
( Isa. 43: 1,8; 44: 22; 45: 19; 46: 9,13; 55: 7; 61: 10 )
A história de Israel teve o Êxodo como o seu ponto de referência. O regresso de muitos judeus do cativeiro na Babilónia, foi uma experiência semelhante ( Isa. 52: 4-9 ). Até essa altura – e também depois – a história do povo escolhido de Deus foi uma história de salvação, cujos sucessivos episódios manifestaram a actividade redentora de Deus.
Contudo, a salvação que experimentaram foi sempre limitada e incompleta; hoje, consideramo-la somente como um símbolo de uma maior salvação que Deus proporcionaria quando o Messias chegasse.
A salvação preparada por Cristo é o trabalho mais maravilhoso de Deus, onde a justiça e a misericórdia se juntam. Através do trabalho de Cristo na Cruz, a reconciliação torna-se acessível a todos. O pecadoe é justificado pela fé em Cristo, liberto da escravidão do pecado, feito folho de Deus e herdeiro de uma herança eterna.
Esta salvação é espiritual e transcendente, mas também inclui aspectos temporais. Não é somente uma questão “de hoje em diante”, mas também de “imediatamente”. A vida e justiça do Reino têm de começar a manifestar-se no presente, num plano tanto individual como social ( Isa. 61: 1-3 ).
Tem igualmente uma dimensão universal ( Isa. 51: 4-5). Quando se torna efectiva no povo redimido de Deus, este povo tornar-se-á uma luz para as nações e uma força que atrairá as atenções ( Isa. 60: 1-3 ). A mensagem que “Deus salva” deve ser o centro da proclamação do evangelho.
Agradeçamos:
- A grande salvação que Deus nos deu em Cristo.
- Porque esta salvação não consiste somente na libertação da condenação, mas possibilita a nossa libertação do poder escravizador do pecado e suas consequências.
- Pelo privilégio que nos foi concedido de sermos arautos das boas novas de salvação ( Isa. 52: 7 ).
- Porque, através do mundo, centenas de milhar de homens e mulheres estão sendo salvos ao aceitarem o Evangelho.
Confessemos:
- Que, por vezes, negligenciamos a grande salvação que Deus, pela sua graça, nos concedeu.
- Que a nossa experiência de salvação é muito limitada e dificilmente se nota na nossa maneira de viver.
- Que, por não vivermos uma vida própria de pessoas redimidas, muitos dos nossos companheiros e amigos têm dificuldade em crer no nosso Redentor.
- Que, por vezes, quando confrontados com os poucos frutos resultantes dos nossos esforços evangelísticos, pensamos que “o Senhor tem a Sua mão encolhida”, quando o verdadeiro motivo da nossa falha reside na nossa própria infidelidade ( Isa. 59: 1 e seguintes ).
Peçamos a Deus:
- Que todas as nações até aos confins da terra possam ver a salvação de Deus ( Isa. 52: 10 ).
- Para que o nosso modo de vida possa harmonizar-se com a nossa mensagem.
- Para que Deus, pelo Seu Espírito, possa guiar e impelir o trabalho missionário em todos os continentes.
- Sabedoria e graça para relacionarmos adequadamente o nosso evangelismo com a nossa responsabilidade social, como povo de Deus.
QUINTA-FEIRA, 10 DE JANEIRO
O Deus do julgamento
( Isa. 40: 1-2; 59: 17-19; 63: 1-6; 65: 6-16 )
O Deus da graça e da salvação também é o Deus do julgamento. O povo de Israel teve de compreender esta verdade, quando provocou a Deus com toda a espécie abominações e rebeliões idólatras. A Sua autoridade não pode ser desprezada indefinidamente. A Sua paciência tem um limite que, uma vez ultrapassado, faz descer um castigo justo sobre o pecado do homem. Aos últimos judeus que estiveram no cativeiro na Babilónia tiveram muitos anos para reflectirem sobre esta amarga realidade.
A história mundial regista muitos acontecimentos que evidenciam a soberania de Deus no julgamento.
Ninguém pode escapar. Há somente uma maneira de escape, que é o arrependimento, a tal mudança radical na maneira de pensar e de viver, que se coaduna com a vontade de Deus.
O endurecimento do coração em rebelião traz sempre sérias consequências. Mesmo em casos onde não se verifica um castigo físico, existem efeitos morais desastrosos. O julgamento de Deus não se constata somente em grandes catástrofes, em doenças ou em morte prematura súbita, é também evidente quando Deus “entrega” os rebeldes às consequências degradantes das suas paixões desenfreadas ( Rom. 1: 24 e
seguintes ).
Talvez a civilização ocidental esteja experimentando hoje esta forma de julgamento divino. “ Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” ( Gál. 6: 7-8 ).
Agradeçamos:
- Porque qualquer triunfo da injustiça e do mal nunca é definitivo. Deus tem sempre a última palavra e, finalmente, a justiça e a verdade prevalecerão.
- Porque o julgamento que merecíamos caiu sobre Cristo, o nosso substituto, para que pudéssemos ser libertados da condenação ( Isa. 53: 5-6 ). “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” ( Rom. 8: 1 ).
Confessemos:
- Que, não obstante sabermos a respeito do julgamento de Deus através da história da humanidade, nós próprios, frequentemente, nos insurgimos contra a Sua Palavra.
- Que, quando sofremos o julgamento e a disciplina do Senhor, temos a tendência de cairmos na descrença, na revolta e no desânimo.
- Que, ao vermos abaterem-se calamidades sobre os homens, que podem ser interpretadas como julgamento divino, não nos movemos de compaixão, não intercedemos por eles, nem lhes pregamos as Boas Novas da Salvação de Deus.
Peçamos a Deus:
- Para que, no meio de um mundo repleto de evidências dolorosas da descrença humana, da injustiça e da imoralidade, muitas pessoas possam discernir a intervenção de Deus e sejam estimuladas ao arrependimento.
- Para que Deus inflame os nossos corações com uma tal paixão, que exortemos o nosso próximo a “ fugir da ira futura ( Mat. 3: 7 ).
- Para que a Igreja possa viver no mundo em conformidade com as normas do Reino e assim exerça na sociedade, uma influência que equilibre a influência do pecado que faz descer o julgamento de Deus.
- Para que, ao clamarmos “ Justos e verdadeiros são os Teus cominhos, ó Rei dos Santos” ( Apoc.
15: 3 ), não nos esqueçamos de acrescentar “ na ira, lembra-te da misericórdia” ( Hab. 3: 2 ).
SEXTA-FEIRA, 11 DE JANEIRO
A soberania de Deus
( Isa. 43: 13-17; 45: 1-7; 47: 1-11 )
A doutrina bíblica da soberania de Deus é uma fonte de inspiração e encorajamento. O destino do ser humano e dos povos não depende de decisões humanas nem de forças ocasionais, sujeitas ao acaso ou à sorte. Em última análise tudo é envolvido pelo programa divino e isto não pode ser frustrado por nada nem ninguém.
É realmente um mistério que o exercício da soberania de Deus pode ser realizado sem anular ou diminuir a liberdade humana. Nalguns casos, os homens reconheceram a autoridade de Deus e submeteram-se voluntariamente à Sua vontade, conforme vemos nas vidas dos patriarcas e dos reis de Israel. Noutros casos, a acção humana coincide com o plano de Deus, sem que os seus protagonistas dêem por isso. A sede de conquista dos Caldeus ( Hab. 1: 6 ) ou a benevolência e a generosidade de Ciro, o persa, são boas ilustrações ( Isa. 45: 1-6 ). O testemunho histórico supremo que encontramos na morte de Cristo, O qual se entregou livremente para ser crucificado por “ mãos de injustos”, mas ao mesmo tempo pelo “ determinado conselho e presciência de Deus” ( Actos 2: 23 ).
A soberania de Deus foi confirmada pela história da Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela ( Mat. 16: 8 ), por muito que as forças hostis a Deus se multipliquem. Deus viu tudo isto desde o princípio e fará com que “todas as coisas” obedeçam ao cumprimento dos Seus propósitos. “ O Senhor reina: regozije-se a terra” ( Sal. 97: 1 ).
Agradeçamos:
- Porque Deus mantém a Sua soberania acima de todos os poderes humanos. “O seu trono subsiste por séculos dos séculos” ( Heb. 1: 8 ).
- Porque a soberania de Deus nunca é arbitrária, mas governada pela Sua justiça perfeita e misericórdia infinita.
- Porque os Seus preceitos soberanos garantem a nossa salvação e o triunfo do Seu Reino.
- Porque o nosso destino está sempre nas mãos do nosso Pai Celestial.
- Pelas mudanças políticas que nalguns países estão atenuando a situação angustiante dos crentes.
Confessemos:
- Que frequentes vezes deixamos de ver a soberania de Deus e caímos na incerteza, no pessimismo e no desânimo.
- Que nem sempre nos submetemos alegremente à vontade soberana de Deus.
- Que no conflito da Igreja com poderes hostis e forças espirituais invisíveis, que dominam este mundo ( Efes. 6: 12 ), deixamo-nos, por vezes, assaltar pela dúvida.
- Que em muitas ocasiões deixamos de ver as perspectivas cheias de esperança que as Escrituras nos oferecem, na vitória final dos preceitos e bondade de Deus.
Peçamos a Deus:
- Que os nossos olhos estejam sempre postos n’Aquele que, do Seu trono celestial, governa todas as coisas.
- Que esta visão possa fortalecer-nos na nossa fé peçamos esforços para manter o nosso testemunho cristão.
- Que o progresso social e político das nações possam beneficiar a disseminação do Evangelho.
- Que Ele ampare os Seus filhos que sofrem por amor a Cristo, em terras onde ainda existe a intolerância religiosa.
SÁBADO, 12 DE JANEIRO
O Deus fiel
( Isa. 40: 27-31; 54: 4-10)
Os pecados de Israel e de Judá trouxeram o julgamento sobre o povo escolhido, mas não terminou aqui a misericórdia divina. O relacionamento entre Jeová e Israel repousava sobre a Arca da Aliança e Deus permanecia fiel à Sua Palavra. Uma vez cumpridos os propósitos do cativeiro Babilónico, um bom número de judeus regressou à sua terra; Deus restaurou-os. Por um pequeno momento Ele os tinha abandonado aos seus julgamentos temporais, mas não os repudiou nem se separou deles. Depois dos Seus julgamentos, tinha chegado o tempo da compaixão ( Isa. 54: 7; Ose. 14:4; Miq. 7: 18 ).
Na era cristã o relacionamento de Deus com o Seu povo está baseado na Nova Arca da Aliança, selada com o sangue de Cristo ( Heb. 8: 6 ). Esta Arca da Aliança garante a fidelidade de Deus, porque em Cristo todas as Suas promessas são “sim e amém” ( II Cor. 1: 20 ).
Tudo será cumprido. Se formos infiéis, Deus corrigirá a nossa infidelidade com disciplina paternal
( Heb. 12: 5-11 ), mas ao mesmo tempo Ele permanecerá fiel; não pode negar-se a Si mesmo
( II Tim. 2: 13 ). A promessa de Isa. 54: 10 também se aplica a nós; bem podemos sentir-nos cheios de esperança e alegria.
Agradeçamos:
- A imutabilidade do nosso Deus, a base da Sua fidelidade. “As Suas misericórdias não têm fim; são novas cada manhã” ( Lam. Jer. 3: 22-23 ).
- Porque muitas vezes, nas nossas provações e tentações , provámos que “ Deus é fiel, que vos não deixará tentar acima do que podeis” ( II Cor. 10: 13 ).
- Porque a relação de Deus para connosco não depende da nossa fidelidade, sempre incerta e duvidosa, mas da Sua graça e da obra perfeita de Cristo, nosso Mediador.
- Porque temos inúmeras evidências nas nossas vidas que provam que Deus é fiel. Que nós, também, tal como o salmista, possamos proclamar “A Sua fidelidade e a Sua salvação”( Sal. 40: 10 ).
Confessemos:
- Que, assaltados pela dúvida, nem sempre confiamos na fidelidade de Deus.
- Que nem sempre correspondemos à fidelidade de Deus, com a nossa própria fidelidade.
- Que, por vezes, projectamos para cima de Deus a imagem da nossa própria instabilidade.
Peçamos a Deus:
- Um maior conhecimento d’Ele, como o Deus Verdadeiro e Fiel, que concede um amor inabalável àqueles que O amam e guardam os Seus mandamentos ( Deut. 7: 19).
- Para que este conhecimento nos possa trazer a paz e o encorajamento para vivermos fielmente a vida cristã.
- Para que o conhecimento da fidelidade de Deus não nos torne inactivos e irresponsáveis.
- Para que Deus possa realizar no Seu povo as Suas abundantes promessas de bênçãos, apesar da nossa fraqueza e pecado.
DOMINGO, 13 DE JANEIRO
O Deus eterno
( Isa. 40: 28; Sal. 48: 14 )
Deus não é somente soberano, é também eterno.
“O Senhor reinará eterna e perpetuamente” ( Êx. 15: 18; Sal. 10: 16; 48: 14 ), mas o homem é efémero: “Toda a carne é erva e toda a sua beleza como as flores do campo. Seca-se a erva e caem as flores...” ( Isa. 40: 6-7 ).
Até mesmo os impérios que mais duraram, se desfizeram em ruínas através dos séculos e ficaram reduzidos a meras memórias históricas. Mas Deus, de acordo com a Sua Palavra, “subsiste eternamente” ( Isa. 40: 8 ); Ele continua como o Deus absoluto do tempo. Ele é o “Rei dos séculos, imortal ...” ( I Tim. 1: 17).
A Sua benignidade também dura perpetuamente ( I Crón. 16: 34 ), assim como a sua salvação
( Isa. 45: 17) e o Seu concerto ( Isa. 55: 3; Jer. 32: 40 ). Os nossos tempos estão nas Suas mãos
( Sal. 31: 15 ), não somente os tempos de alegria, mas também os de adversidade.
A visão da eternidade de Deus estende-se aos horizontes das nossas vidas temporais. A nova vida que o crente recebeu em Cristo é “vida eterna”. O nosso trabalho na Terra tem uma qualidade extraordinária
( Mat. 25: 21, 34).
Sofrer por Cristo produz “um peso eterno de glória” para o crente ( II Cor. 4: 17), porque o objectivo da Sua esperança é a “entrada no reino eterno de Deus “ ( II Pe. 1: 11).
Com estes motivos diante de nós, bem poderíamos dizer “Eu Te exaltarei, ó Deus, meu Rei, e bendirei o Teu nome, pelos séculos dos séculos” ( Sal. 145: 1 ).
Agradeçamos:
- Porque o ser eterno de Deus assegura a Sua soberania em todos os tempos. Aquele que ajudou o Seu povo no passado, continua a ser o seu ajudador, hoje e no futuro, seja em que circunstâncias forem.
- Porque a natureza eterna de Deus manifestada no valor dos seus atributos gloriosos, assegura a nossa salvação.
- Porque o Seu trabalho em nós produz nas nossas vidas uma dimensão eterna.
Confessemos:
- Que, por vezes, na nossa experiência pessoal, Deus é somente o Deus do passado, o Deus que fez grandes coisas há muitos anos, mas que agora dificilmente trabalha nas nossas vidas. Vivemos mais das recordações do que das realidades presentes.
- Que, muitas vezes nos sentimos desanimados quando reflectimos mais sobre mudanças desfavoráveis, do que sobre o poder eterno de Deus.
- Que as realidades invisíveis influenciam muito pouco o nosso modo de vida. Olhamos mais para as coisas que se vêem, não obstante o facto daquelas que se vêem serem temporais, enquanto as que se não vêem são eternas ( II Cor. 4: 18 ).
Peçamos a Deus:
- Para que a Sua eternidade possa dar consistência e estabilidade à nossa fé.
- Para que possamos ver todas as coisas como o Propósito eterno de Deus, revelado na Sua Palavra.
- Para que, desta maneira, possamos estar preparados para servir o Senhor, sofrendo, caso seja necessário, enquanto Ele permitir que continuemos na terra.
- Para que a glória de Deus possa brilhar em nós através de 1991 e nos anos seguintes, para nossa edificação na fé e na extensão do Seu Reino.
- Para que as nossas vidas, transformadas e enriquecidas espiritualmente pela Sua presença, possam confirmar a nossa mensagem, quando declaramos ao mundo: “Eis aqui está o Vosso Deus”.