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FÉ CRISTÃ E EDUCAÇÃO - A DECLARAÇÃO DE PRAGA DE 1997

COMACEP, 2007-06-25

Fé Cristã e Educação

A Declaração de Praga de 1997

Parte A: Declaração de Fé

A1. Afirmamos, como participantes da Conferência da Associação dos Educadores Cristãos (EurECA) em St. John-Under-The-Rock, Praga, de 16 a 19 de Maio de 1997, as crenças cristãs históricas, expressas na nossa Declaração de Fé como membro da organização da Aliança Evangélica Europeia (EEA), junto com a sua importância para a educação na Europa contemporânea.

A2. A Declaração de Fé da Aliança Evangélica Europeia

Como Cristãos evangélicos, aceitamos a revelação do Deus trino dada nas Escrituras tanto no Velho como no Novo Testamentos e confessamos a fé cristã do evangelho que daí advém. Nós assertamos doutrinas que entendemos como cruciais ao entendimento da fé, e que devem traduzir-se em amor mútuo, serviço cristão prático e cuidado evangelístico:

 A Soberania e a Graça de Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo na criação, providência, revelação, redenção e juízo final.

 A divina inspiração das Sagradas Escrituras e a sua consequente e inteira fidedignidade e autoridade suprema sobre todos os assuntos pertinentes à fé e à conduta.

 A pecaminosidade universal e a culpa da humanidade caída, tornando-a sujeita à ira de Deus e à condenação.

 O sacrifício substitutivo do Filho de Deus encarnado como a única e suficiente condição para a redenção da culpa e do poder do pecado, e das suas consequências eternas.

 A justificação do pecador somente pela graça de Deus através da fé em Jesus Cristo crucificado e ressurgido de entre os mortos.

 A obra esclarecedora, regeneradora, interior e santificadora de Deus o Espírito Santo.

 O sacerdócio de todos os crentes, que formam a Igreja Universal, o Corpo do qual Jesus é a Cabeça, e que é comissionado pela Sua ordem para proclamar o Evangelho por todo o mundo.

 A expectativa do regresso visível pessoal do Senhor Jesus Cristo, em poder e glória.

A3. Credos cristãos de particular relevância para a educação na Europa contemporânea

Afirmamos que, como indivíduos Cristãos e representantes de organização cristãs que se preocupam primordialmente com a educação, os credos cristãos têm uma particular relevância para a teoria e prática da educação. Os credos específicos relevantes são:

A3.1 A Trindade

Afirmamos que existe um só Deus em três pessoas: Deus o Pai, Jesus Cristo o Filho e Deus o Espírito Santo.

A existência de Deus providencia o fundamento para o conhecimento humano através de um relacionamento com Ele. A existência de um só Deus como três pessoas providencia o fundamento para a individualidade humana bem como para os relacionamentos na comunidade.

A3.2 A Criação

Afirmamos que Deus criou o Universo, declarou que era bom e mantém-no em existência.

Tudo o que existe é, portanto, projectado por Deus com um propósito divino e Lhe pertence, por isso nada é nosso para fazermos o que bem entendemos.

A3.3 Criados à imagem de Deus

Afirmamos que Deus fez todos os seres humanos à Sua imagem.

As nossas naturezas física, mental, emocional, criativa, moral e espiritual separam-nos do resto da criação.

Os seres humanos são criados para terem relacionamentos de amor com o próprio Deus e uns com os outros em família, comunidades, sociedades e na sociedade humana abrangente.

Os seres humanos são iguais em dignidade e equitativamente dignos de amor e respeito independentemente da raça, género, idade ou estrato social.

Cada indivíduo é único em personalidade e dons e em última estância responsável perante Deus, particularmente pela mordomia da criação.

A3.4 A Revelação

Afirmamos que Deus Se revela a Si mesmo aos seres humanos de formas diferentes e não contraditórias:

 no universo que Ele criou, na História e na consciência humana;

 no Seu Filho Jesus que veio a este mundo; e

 nas Escrituras do Velho e do Novo Testamentos que o Espírito inspirou e interpreta.

Estamos sujeitos à autoridade final das Escrituras e, por isso, não estamos por nossa conta numa busca, puramente humana, de sabedoria, entendimento e sabedoria.

O verdadeiro conhecimento é possível embora o nosso conhecimento como seres finitos é sempre limitado.

A3.5 A Queda

Afirmamos que os seres humanos escolheram desobedecer a Deus estimulados por Satanás. Em resultado disso, tornámo-nos pecadores por natureza e isto afectou toda a criação.

Isto resultou num mundo onde o bem e o mal continuam em conflito. A actividade de Satanás e a pecaminosidade da nossa natureza afectam todos os aspectos das nossas vidas, todos os nossos relacionamentos e, por isso, o nosso saber. O nosso conhecimento como seres caídos não está apenas limitado mas também distorcido e acredita mais no erro porque agora temos tendência para olhar para o saber humano como ponto de referência ao invés de olhar para a revelação divina.

Há uma realidade a ser conhecida mas, nas nossas tentativas para a conhecermos, deveríamos sempre assumir humildemente a possibilidade de estarmos errados.

A3.6 A Redenção

Afirmamos que relacionamentos correctos com Deus, com toda a Sua criação e uns com os outros, podem apenas ser restaurados na base da morte e ressurreição de Jesus Cristo e através da fé n'Ele.

Embora muitos na nossa sociedade plural contemporânea ofereçam caminhos para o conhecimento e realização total, apenas pela fé em Cristo podemos experimentar verdadeira liberdade e o processo de nos tornarmos mais como Cristo.

A3.8 Futuros Eventos

Afirmamos que Deus, através de Cristo e do Espírito Santo, tem arquitectado soberanamente e participado na história humana que se encaminha para a Segunda Vinda de Cristo e para o estabelecimento do Seu Reino.

Tudo está, portanto, a mover-se em direcção a um alvo e não vai continuar a ser igual ao que conhecemos até agora.

Fé Cristã e Educação

A Declaração de Praga de 1997

Parte B: A Educação na Europa

B1. Afirmamos, como participantes na Conferência da Associação dos Educadores Europeus Cristãos (EurECA), em St-John-Under-The-Rock, Praga, de 16 a 19 de Maio de 1997, a importância para a educação na Europa contemporânea da fé Cristã histórica, expressa na nossa Declaração de Fé, como membro da organização da Aliança Evangélica Europeia (EEA). (Ver Parte A: Declaração de Fé).

Como educadores cristãos a trabalhar numa variedade de contextos educacionais, incluindo públicos e privados, escolas Cristãs e seculares, temos uma visão para os alvos, conteúdo e prática da educação, que é moldada pela fé Cristã fundamental tal como descrito na Declaração de Fé. No contexto das sociedades plurais, desejamos partilhar esta visão com outros no espírito do entendimento mútuo. Estes são os nossos ideais, e queremos trabalhar neste sentido. Reconhecemos e respeitamos o facto de que outros têm ideais diferentes.

Acreditamos que a tarefa de construir sociedades harmoniosas é melhor desempenhada por pessoas que partilham os seus diferentes ideais e negociam umas com as outras, e não excluindo-as das discussões públicas sobre educação.

Nas nossas sociedades democráticas de hoje, os Cristãos têm a responsabilidade de advogar a perspectiva Cristã sobre a educação a todos os níveis do governo nacional e até da Comissão Europeia.

B2. Os contextos da educação contemporânea na Europa

Há três contextos significativos que tomamos em consideração ao propormos os princípios educacionais Cristãos que se seguem.

B2.1 O contexto social, económico e político

 As mudanças nos padrões familiares e ruptura nos relacionamentos em geral.

 A busca de identidades por grupos históricos que olham com nostalgia para os seus passados mais distantes. Ao mesmo tempo e por outro lado, há a busca de uma nova identidade Europeia que, de uma perspectiva global, pode parecer quase paroquial.

 Maior mobilidade através de fronteiras nacionais mais abertas, provocando tensões entre racismos ressurgentes e a preocupação em criar sociedades mais multi-culturais.

 Após o colapso do comunismo, uma difusão da filosofia do mercado livre, em que o individualismo da autonomia do consumidor é de suma importância.

 Desilusão, cepticismo e uma falta de confiança nos sistemas políticos seguidos do fracasso tanto do comunismo como do capitalismo resultando num pragmatismo cada vez mais forte, particularmente na Europa de Leste.

B2.2 O contexto espiritual e intelectual

 A busca de uma nova espiritualidade após o declínio do modernismo Iluminista e falta de fé num sistema universal de crença.

 Influências cristãs enraizadas nas heranças culturais nacionais por todo o continente (incluindo as terras ex-comunistas) e tentativas por parte das denominações cristãs estabelecidas para ganhar de novo o terreno perdido.

 O despertar de um novo tipo de pluralismo que insiste em que todos as visões sobre o mundo e a vida são igualmente verdadeiras e que a tolerância é a maior virtude.

B2.3 O contexto educacional

 Variedade de contextos formais e informais como instituições educativas, igrejas, lares e grupos voluntários.

 Um acesso sem precedentes à informação.

 A ascendência dos mídia auditivos e visuais.

 Uma preocupação disseminada sobre os valores morais e padrões educativos.

 Uma taxa de mudanças sem precedentes.

B3. Princípios Cristãos para a teoria e prática da educação

Afirmamos os princípios seguintes para a educação contemporânea na Europa:

B3.1 Responsabilidades na Educação

B3.1.1 Afirmamos que os pais têm a responsabilidade primária na educação dos seus filhos. Têm, portanto, a responsabilidade de assegurar que, tanto quanto possível, o tipo de educação que os seus filhos recebem está de acordo com as suas crenças e valores. Isto pode ser na forma de aulas em casa, ou de ensino administrado pela igreja ou por outros grupos comunitários ou até pelo próprio estado.

B3.1.2 Afirmamos que a responsabilidade dos professores para a educação das crianças ao seu cuidado é-lhes delegada pelos pais, lembrando que os pais devem continuar a estar envolvidos na educação dos seus filhos.

B3.1.3 Afirmamos que há responsabilidade da parte dos alunos e dos professores e, de facto, de todos nós de nos envolvermos num processo de aprendizagem ao longo da vida e de o fazermos em parceria.

B3.1.4 Afirmamos que as igrejas cristãs têm a responsabilidade de ensinar os membros da igreja e os seus filhos a pensar e a viver como seguidores de Cristo. Têm também uma responsabilidade mais vasta de servir a comunidade, encarnando o amor de Deus num mundo desfeito, em parte pelo seu envolvimento na educação na comunidade mais lata. (Ver A3.7)

B3.1.5 Afirmamos que é da responsabilidade dos pais prepararem os seus filhos para responderem de forma crítica às lições e actividades na escola que são claramente opostas às suas próprias crenças e valores e, onde for necessário, a retirarem os seus filhos de tais lições e actividades.

B3.1.6 Afirmamos que os governos têm a responsabilidade de providenciar o bem-estar dos cidadãos do estado e que isto inclui garantir que haja provisão educacional para as crianças. O estado também tem a responsabilidade de determinar uma janela de valores comuns, não inibidoras do desenvolvimento das distinções e, em particular, das responsabilidades dos Cristãos para moldarem e praticarem a educação da sua perspectiva de fé.

B3.1.7 Afirmamos que todos aqueles que educam, seja em que contexto educacional for, são em última instância reportáveis junto de Deus por aquilo que fazem.

B3.2 Alvos da Educação

B3.2.1 Afirmamos que a educação é um processo perpétuo de aprendizagem relacionado com:

 O desenvolvimento da pessoa como um todo (ex: espiritual, volitivo, intelectual, moral, social, cultural, emocional, físico);

 um entendimento integrado de toda a realidade em todos os seus aspectos distintos (ex: ético, matemático, linguístico, histórico, estético, científico, etc.); e

 a vida como um todo e os seus diferentes tipos de actividade (ex: trabalhar, jogar, descansar, pensar, criar, imaginar, descobrir).

B3.2.2 Afirmamos que a educação deve providenciar oportunidades:

 para aprender sobre Jesus Cristo e para entender o Seu senhorio sobre a vida das pessoas (ver A3.4 e A3.6);

 para discernir a verdade da falsidade e para fazer o que é bom em vez do que é mau (ver A3.5);

 para viver como cidadãos responsáveis em relacionamentos de amor mútuo, respeito e serviço uns para com os outros em família, comunidade e sociedade (ver A3.1, A3.3, A3.6 e A3.7);

 para estudar todos os aspectos da realidade criada e para aprender como gerir e cuidar dela de forma responsável (ver A3.3);

 para apreciar e desfrutar da beleza e maravilha do que Deus fez, bem como dos feitos e da criatividade humana (ver A3.2 e A3.3);

 para desenvolver habilidades práticas, e a capacidade de comunicar, de tomar decisões e de ser criativo (ver A3.3); e

 para entender, apreciar e avaliar a sua história e herança (ver A3.4 e A3.7).

B3.3 Conteúdo da educação formal

B3.3.1 Afirmamos que o ensino envolve a passagem de conhecimento da realidade criada por Deus em todos os seus aspectos inter-relacionados (ver A3.2 e A3.3).

B3.3.2 Afirmamos que a selecção, conteúdo e organização do currículo sempre reflecte as crenças fundamentais daqueles que o elaboram. Nenhum currículo é neutro. Por essa razão uma base válida para determinar o conteúdo e organização de um currículo é estar fundado nas crenças e valores da Bíblia (ver A3.4).

B3.3.3 Afirmamos que um elemento central do conteúdo da educação deve ser a importância e a universalidade das crenças e valores. Os alunos devem ser ajudados a descriminar entre eles e a avaliar de forma crítica os seus próprios pontos de vista bem como os dos outros. Isto aplica-se a todos as disciplinas do currículo e está na base da centralidade do estudo da Bíblia (ver A3.4).

B.3.3.4 Afirmamos a importância do currículo escondido bem como a do currículo formal. As crenças e valores subjacentes devem, portanto, encontrar uma expressão coerente na forma como toda a vida de uma escola é conduzida bem como no conteúdo das disciplinas que são leccionadas.

B3.4 Métodos de educação

B3.4.1 Afirmamos que o Velho e o Novo Testamentos, especialmente o exemplo de Cristo, constituem uma fonte importante de princípios de metodologia para leccionar de formas variadas e apropriadas (ver A3.4).

B3.4.2 Afirmamos que relacionamentos de autoridade, respeito e amor são de importância central para a criação de um ambiente seguro propício à aprendizagem (ver A3.3).

B3.4.3 Afirmamos que os professores devem ser modelos das crenças e dos valores cristãos nas suas atitudes e formas de ensino (ver A3.6).

B3.4.4 Afirmamos que os métodos de ensino devem ser elaborados para desenvolver as capacidades dos alunos para tomarem posse das suas próprias crenças e valores e não para manipulá-los ou coagi-los a aceitar crenças e valores de outros (ver A3.3).

B3.4.5 Afirmamos que os métodos de ensino devem respeitar a dignidade pessoal dos alunos individuais, desenvolvendo neles uma auto-estima condigna (ver A3.3).

B3.4.6 Afirmamos que os métodos de ensino devem ter em conta:

 a natureza da disciplina em estudo,

 as necessidades e capacidades individuais do professor e do aluno, e

 os vários estilos de aprendizagem dos alunos, de forma a que os alunos possam aprender e desenvolver a capacidade de tomar responsabilidade pela sua própria aprendizagem (ver A3.3).

B3.4.7 Afirmamos que é necessário haver disciplina por causa da natureza caída dos seres humanos; deve ser motivada pelo amor, envolvendo elogio e recompensa; e deve ter como alvo uma mudança positiva envolvendo arrependimento, perdão e restauração (ver A3.3, A3.5 e A3.6).

B3.4.8 Afirmamos que é essencial haver um bom cuidado pastoral e que deve suprir as necessidades reais das crianças e das suas famílias. Deve empregar métodos consistentes com o ensino bíblico e que reflictam o amor e a atenção demonstrados por Jesus Cristo (ver A3.3, A3.6).

B3.4.9 Afirmamos que os educadores devem equipar e motivar os seus alunos para um processo perpétuo de aprendizagem (ver A3.6).

B3.5 Liderança, política e gestão na educação

B3.5.1 Afirmamos que a política da educação em geral, e que a gestão de determinadas instituições e agências educacionais devem servir os propósitos mais elevados da educação e não uma visão meramente impulsionada pela questão económica (ver B3.2).

B3.5.2 Afirmamos que o governo e a política de uma educação baseada na escola devem sempre procurar proteger e ajudar os pobres, os marginalizados, os indefesos e os mais carenciados (ver A3.3).

B3.5.3 Afirmamos que a liderança educacional deve ser dirigida pela visão, inspiração e serviço e não pela dominância (ver A3.3).

B3.5.4 Afirmamos que o poder deve ser exercido de uma maneira facilitadora, aberta e com autoridade e não de uma forma punitiva, fechada e autoritária (ver A3.3).

B3.5.5 Afirmamos que a liderança e a gestão de uma escola é uma preocupação crítica. O pensamento e os valores Cristãos têm um contributo crucial e único a dar para o desenvolvimento da identidade e do espírito da escola.

B3.5.6 Afirmamos que os líderes devem entregar nas mãos dos professores a tarefa de serem gestores eficazes das suas aulas, por exemplo, através do cuidado pastoral e facilitando um desenvolvimento profissional.

A Associação Cristã de Educadores Europeus (EurECA) é uma organização dentro da Aliança Evangélica Europeia. Procura aproximar educadores Cristãos e organizações de toda a Europa que estão envolvidas na educação Cristã, para discutir assuntos relacionados com a educação Cristã, e para providenciar materiais impressos que ajudarão os educadores Cristãos no seu trabalho. De dois em dois anos é organizada uma grande conferência, e uma conferência de trabalho nos anos intercalares; são publicados dois jornais por ano. Há uma ênfase especial para incluir educadores Cristãos tanto da Europa Ocidental como de Leste em todas as facetas da EurECA.

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Tel. 49-7626-91610

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[Notícia n.º 3324, inserida em 2007-06-25, lida 949 vezes.]

 

 

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