Declaração conjunta
O “Departamento das Relações Ecuménicas do Patriarcado de Lisboa”, a “Aliança Evangélica Portuguesa” e a “União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia”, conscientes da necessidade de informar os portugueses sobre a sua posição quanto à redefinição do conceito de casamento, e
Movidos por uma profunda preocupação por a instituição do casamento enfrentar nos nossos dias a ameaça da redefinição do seu conteúdo,
Declaram que segundo a perspectiva cristã que há perto de dois mil anos informa a nossa cultura:
1. Todo o ser humano tem valor aos olhos de Deus, possui igual dignidade e deve ser amado por todos os seus semelhantes como é amado por Deus;
2. Todo o ser humano é diferente, tanto na singularidade da sua existência pessoal como na objectividade da sua condição de homem ou mulher;
3. A tradição bíblica e cristã apresenta o casamento como a referência querida por Deus dessa natureza humana, por ser uma união para a vida entre um só homem e uma só mulher, porque só um homem e uma mulher se completam, não existindo alternativa como unidade reprodutiva e perpetuadora da espécie;
4. A união heterossexual monogâmica é, por isso, a origem primeira da família, célula fundamental da sociedade;
5. O casamento como acima definido, união heterossexual monogâmica, é por isso uma realidade anterior e exterior ao Estado;
6. A homossexualidade é conhecida desde a antiguidade clássica, designadamente em civilizações como a grega e a romana mas nunca as relações entre pessoas do mesmo sexo deram origem a uma redefinição do conceito jurídico de casamento, nem a figuras próximas;
7. O alargamento do conceito de casamento de modo a abranger outras realidades que não a união heterossexual monogâmica implica a subversão do conceito e o enfraquecimento ainda maior da rede primária da sociedade que é a família.