Observatório-Textos-Teologia

enviar a um amigo imprimir Página Anterior
O HOMEM QUER SER DEUS, DEUS QUIS SER HOMEM

Hugo Pinto, 2010-07-15

O Homem quer ser Deus, Deus quis ser homem

A sede pelo poder, pela fama, pela riqueza, pelo pódio, marca sem dúvida o coração do homem. Ser Deus ou ser grande, aclamado e poderoso tem-se tornado o conceito da felicidade.

A OBSESSÃO DO HOMEM

Ser Deus. Essa é a grande obsessão do homem. Essa tem sido a sua grande pretensão. O seu principal esforço. As formas para tentar chegar lá são variadas: O governo de um povo, o sucesso nos negócios, a manipulação e (aparente) domínio nos relacionamentos, ser uma estrela admirada pela sua alta performance, seja na área da música, da representação, do desporto, ou outra…

O próprio ateísmo não é a completa rejeição de Deus. É sobretudo a auto-reivindicação de ser deus. Claro que, para tal, é necessário rejeitar, negar ou acabar com qualquer ser divino superior ao homem. Desta forma, o homem não tem um Deus em quem acreditar, em quem confiar, a quem adorar. Alguém que estabelece princípios e valores. Por exclusão de partes, só sobra o homem. Assim ele acredita nele próprio, confia na sua força e adora a si mesmo. E decide os valores, determina o seu estilo de vida a seu bel-prazer. A procura de ser Deus. Ou a reivindicação de que já o é. O próprio homem está confuso em relação a isso…

A sede pelo poder, pela fama, pela riqueza, pelo pódio, marca sem dúvida o coração do homem. Ser Deus, ou ser grande, aclamado e poderoso tem-se tornado o conceito da felicidade. O mal teve origem nessa tentativa. O grande Querubim Lúcifer tentou usurpar o lugar de Deus1. Desde aí essa “febre” não parou. O mal entrou no homem e no mundo por essa tentativa2. A primeira Civilização procurou o tão apetecível estatuto3. Grandes Imperadores queriam essa glória4. Os dias de hoje só fazem a lista dos pretendentes aumentar desmedidamente.

A PAIXÃO DE DEUS

Não surpreende muito as pessoas tentarem subir e procurar ser ou parecer mais do que são. O que impressiona deveras é alguém que é Todo-Poderoso, cheio de Autoridade, Glória e Majestade estar pronto a descer, de livre vontade. Foi isso que Deus fez. Num mundo em que os homens estavam embriagados em querer ser, ou pelo menos reconhecidos como divinos, Deus decidiu fazer-se homem. Quando o homem queria tanto revestir-se de divindade e imortalidade, Deus vestiu-se de carne humana. Procurando o homem super poderes e glória, Deus aceitou a limitação da humanidade5. E fê-lo sem reivindicações de reconhecimento, palácios, ou riquezas. Sem ostentações e espectáculos vistosos. Escolheu o útero de uma mulher simples, de um lugar simples. Preferiu uma estrebaria mal cheirosa. A aspereza do alimento de animais: as palhas. O lugar onde eles comiam: uma manjedoura6.

Nenhum humano escolheria tal lugar. Reclamam por não nascerem em berço de ouro. Mas Deus, que tinha um alto e sublime trono, trocou-o por esse cenário e condição. As testemunhas, as visitas, para além dos pais, eram os animais, que em vez de parabéns efusivos e reconhecimentos aplaudidos, só sabiam zurrar, mugir, ou grunhir. Depois, lá apareceram os mais desprezados daquela sociedade: pastores7. Ninguém se engane: os reis do Oriente não presenciaram aquele momento, só chegaram a Belém cerca de dois anos depois8.

Viveu os Seus primeiros anos como um exilado num País estrangeiro: no Egipto9. Cresceu numa terra desprezada: Nazaré. Deixou de lado a oportunidade de carreira, de riqueza, ou de vida familiar, para ajudar e trazer esperança aos outros. Não usou os seus poderes para Se defender10, mas deixou-se ser traído, injustiçado e torturado até ser crucificado numa cruz.

RAZÃO 1: ENSINAR O HOMEM

Mas qual a razão para Deus fazer uma coisa tão inacreditável? Tão absurda para os humanos? Para mostrar aos homens que o mais importante na vida não é subir sofregamente à custa de pisar e esmagar os outros. A beleza da vida está em estar disposto a descer para elevar os outros. Para provar por demonstração que a força não é demonstrada pela capacidade de usurpação, mas pela determinação em esvaziar-se11. Que a grandeza não é medida pela quantidade de pessoas que nos aplaudem e servem, mas pela quantidade de pessoas que servimos e abençoamos. Para ensinar que a felicidade não consiste em ser idolatrado e venerado, mas em amar e doar-se aos outros.

Ele desceu até ao nível mais baixo para revelar ao homem que a única maneira de subir é descendo. A única forma de ganhar, é estar disposto a perder. Foi assim que Ele foi exaltado soberanamente, ressuscitando de entre os mortos ao 3º dia e recebendo toda a glória que tinha antes de se vestir da limitação do corpo humano12.

RAZÃO 2: LEVANTAR O HOMEM

Houve outra razão fundamental da viagem de Deus num corpo humano à terra. Foi para conseguir aquilo que o homem nunca conseguiu nas suas tentativas de ser Deus. Quanto mais o homem tentou subir mais ele caiu. O Querubim cheio de luz tornou-se o príncipe das trevas, sem acesso aos lugares mais altos. A mulher que quis ser como Deus caiu, juntamente com o marido e perderam ambos a beleza do paraíso e da comunhão com o Criador. A primeira civilização foi dissipada e dividida. Os imperadores ficaram arruinados.

Mas Deus decidiu descer para elevar o homem. Elevá-lo acima do lamaçal da usurpação, orgulho e vaidade; elevá-lo acima das cobiças e das guerras. Elevá-lo à posição de filho; à possibilidade de uma comunhão perdida; à realidade da vida abundante e eterna. Elevá-lo à natureza do amor, onde o desejo de ser Deus torna-se, para além de ridículo, desnecessário. Onde só importa amar e honrar.

SUBIR PARA DESCER OU DESCER PARA SUBIR?

Sempre que o homem rejeita este Deus revelado de forma tão eloquente e amorosa, procura consciente ou inconscientemente ser Deus (pelo menos de si próprio). Mas uma criança sabe muito bem que há algo melhor que estar sozinha e tentar ser “gente grande”. É ter um pai por perto. Não tentes subir sofregamente. Subir para seres senhor e dono da tua vida; subir para seres auto-suficiente; subir para teres segurança em realizações, riqueza, sabedoria, posição, ou fama. Neste tipo de subidas, a queda é certa.

Desce de uma vida centralizada em ti próprio; desce do pedestal de se querer ser visto, reconhecido e (até) idolatrado; desce do podium da declaração de independência. A subida é garantida: “Aquele que quiser ganhar a sua vida perdê-la-á, mas aquele que a perder por amor de mim, ganhá-la-á” (Mateus 16:25, paráfrase minha). Aceita Aquele que desceu e serás elevado. Reconhece Aquele que, sendo Filho de Deus, fez-Se filho do homem, para que nós, filhos dos homens, possamos ser filhos de Deus. Ele tomou a natureza humana para que possamos ser participantes da natureza divina. Ele aceitou a mortalidade na cruz para que possamos viver a felicidade e imortalidade da vida eterna13.

Concluindo, querer ser Deus torna o homem miserável. Aceitar o Deus que Se fez homem, torna-o melhor homem. Afinal, para quê querer ser Deus quando Deus quis ser homem? Vamos viver e apreciar a maravilha de sermos homens, a maravilha de sermos amados por Deus e de podermos amá-Lo…

Hugo Pinto

Pastor evangélico – Benfica (Lisboa)

Ministério “Jesus é a Resposta”

www.hugopinto.org

[Notícia n.º 3611, inserida em 2010-07-15, lida 205 vezes.]

 

 

 Pesquisar Temas

 

 Devocional

 Reflexão

 Leitura diária

 Pensamentos

 





Início | Contactos                                                                              Powered by Netconquer

© Copyright 2003 Aliança Evangélica Portuguesa, AEP. Todos os direitos reservados.